segunda-feira, 31 de março de 2008

Uma tarde de primavera

Uma tarde de primavera, o meu tio queria fazer churrasco, mas não tínhamos churrasqueira, então o meu tio, o meu pai, e o meu padrinho foram ao intermache comprar uma churrasqueira, demoraram imenso tempo, e enquanto eles não voltavam, nós estávamos a preparar tudo, a por a caruma seca para o fogo atear mais depressa, a por lenha seca, pois se tivesse molhada causaria fumo, pinhas e um pedaço de jornal. Mas faltava qualquer coisa, era os pratos de plástico e a mesa para nós nos sentarmos a comer lá fora.
Quando estava tudo pronto nós quisemos fingir que éramos cozinheiros de uma casa que faz frango de churrasco. Eu e o Nicolau éramos os cozinheiros, e o meu irmão e o meu primo eram os empregados de mesa, e as minhas primas eram as clientes, e assim se passou até os nossos pais chegarem.
Quando os nossos pais chegaram foram logo montar a churrasqueira e nós todos em redor para ver como aquilo ia ficar e ficou muito bem no lugar onde a puseram e logo de seguida as crianças puseram a mesa e o meu padrinho estava a começar a por a lenha para depois a queimar.
No inicio o meu padrinho não pôs a carne, pois podia esturrica-la, então esperou que ficasse tudo em brasas e só nesse momento é que iria por a carne e as sardinhas.
Com tanta brincadeira com a churrasqueira que já era noite, e estava o meu padrinho a por mais carne e de repente a pedra de baixo rebenta e lá vai a churrasqueira ao ar. Nós todos ficamos tristes porque já não íamos brincar mais com a churrasqueira quando não tínhamos nada para fazer e não íamos comer mais frango de churrasco no nosso avô.
O meu padrinho liga para o intermache, e pede para trazerem outra porque a pedra de baixo estoirou, e num abrir e fechar de olhos a carrinha do intermache estava lá para entregar outra churrasqueira igual á outra.
E assim continua a nossa festa do churrasco até tarde.

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